- Multiplicaçao Dramática
-
-
- Este artigo está baseado no capítulo dois do
trabalho apresentado para credenciamento como professor supervisor
da FEBRAP entitulado Multiplicação Dramática,
uma poética do psicodrama, deste mesmo autor (9).
Pretendo apresentar um histórico do conceito de multiplicação
dramática, um resumo sucinto desta conceituação
e uma indicação esquemática de como a tenho
aplicado.
-
-
- O conceito de multiplicação dramática
começa a se delinear na década de 70 com as experiências
de ensino de coordenadores de grupo conhecidas como cenas temidas
dos coordenadores de grupo, publicadas no livro Las escenas
temidas del coordinador de grupos (13) escrito em Buenos
Aires durante os anos de 1974 e 75, por Frydlewsky, Kesselman
e Pavlovsky. As experiências iniciais continuaram sendo
realizadas durante os anos de 1978 a 1980, em Madri e Gotemburgo,
com grupos de análise didática grupal. Frydlewsky
desenvolveu paralelamente este conceito em Buenos Aires entre
1978 e 1980. Esse trabalho de formação / ensino
está descrito no artigo 'Analisis didactico grupal`(10).Pavlovsky
também indica, (12,p.88) como precursor desse conceito
seu artigo 'A personalidade do psicoterapeuta` no livro Psicoterapia
de grupo en ninõs e adolescentes, em 1974. Na década
de 80, essa linha de investigação prossegue com
pesquisas em torno da matriz do criativo, tal como é relatado
no livro Espaços y creatividad (11).
- Em 1982, Wilson Castelo de Almeida, já fazia referencia
para a correlação entre a Obra aberta de Umberto
Eco e o Psicodrama. (1,p.123).
- Em 1987 é publicado um artigo na revista Lo Grupal
nº 5, com o título de 'La obra abierta de Umberto
Eco y la multiplicacion dramatica` onde Frydlewsky, Kesselman
e Pavlovsky conceituam claramente, pela primeira vez, o que é
multiplicação dramática (7, pp17-18). No
artigo articulam os conceitos que Umberto Eco formulou em seu
livro Obra Aberta (3) com o conceito de multiplicação
dramática. Partindo das ciências da comunicação,
Eco analisa a obra de arte a partir de modelos semióticos
criados inicialmente por Peirce. Seu interesse recai particularmente
na estrutura comunicacional das obras de arte e na participação
ativa do público. Posteriormente em 1989, foi publicado
originalmente na Argentina o livro La Multiplicação
Dramática, traduzido para o português em 1991,
cuja frase tema é "Multiplicar ao invés de
reduzir". Nessa obra, os autores situam a multiplicação
dramática no polo oposto ao da redução interpretativa
(6, p.80) e direcionam-se para uma concepção de
psicoterapia que valoriza o gozo estético na arte de curar.
Tentam articular também as idéias de Gilles Deleuze
e Felix Guattari com a clínica psicoterápica (6,p.38)
As recentes discussões e avanços do conceito estão
publicadas nas revistas Lo Grupal ( de 1983 até
hoje).
- Ao longo dos últimos vinte anos - 1974 a 94 - o conceito
de multiplicação dramática foi sendo construído
na direção de uma nova forma de pensar o dispositivo
grupal, afastando-se cada vez mais de uma simples técnica
dramática. Aliás, na opinião dos autores,
nunca foi uma simples técnica dramática (6,pp.18-38).
É uma concepção de grupo como máquina
de produção de sentidos.
- Máquina é um termo criado, na esquizoanálise,
para se opor à subjetividade humana. O inconsciente maquínico
abrange os mais diversos fluxos de signos, fluxos sociais e materiais.
A máquina se define por um sistema de cortes e fluxos.
Corta um fluxo de energia para transformá-lo num outro
fluxo de movimento ou qualquer outro tipo de energia. Toda máquina
corta um fluxo que era contínuo, mas que se originou de
um outro corte e assim por diante. O corte não se opõe
ao fluxo, mas condiciona um novo fluxo. Podemos localizar esta
conceituação em relação à
quarta dimensão do psicodrama, isto é, do fluxo
associativo de cenas. Uma cena é um corte num fluxo já
instituido e é a fundação de um novo fluxo
de cenas. Desse processo brota o desejo e vice versa. Desta maneira
as máquinas são máquinas de máquinas,
produção de produção. Máquina
que corta fluxos associativos e que produz fluxos associativos
e assim por diante. Máquinas estão sempre agenciadas
por outras máquinas. Além disso, toda máquina
(cena ) comporta um ou vários códigos. O grupo
como máquina produtora de sentidos não é
uma metáfora, mas literalmente corta e produz fluxos associativos.
- A multiplicação dramática, como instrumento
conceitual, vem sendo trabalhada a partir de diversas experiências
que confluem: 1) trabalhos terapêuticos compartilhados,
i.e., co-direção; 2) grupos autogeridos de trabalho,
i.e., o coordenador é emergente do próprio grupo
construindo um espaço de mútua supervisão
e multiplicação; 3) ensino de coordenação
grupal centrado nos conflitos do coordenador ou da equipe coordenadora,
i.e., nas cenas temidas dos coordenadores grupais como via régia
para explorar cenas familiares. Essa confluência de dispositivos
grupais vem se constituindo na cozinha do conceito de multiplicação
dramática.
- A formação dos autores pode nos ajudar a delimitar
outros elementos da cozinha conceitual (6,p.109). Kesselman trabalha
com o referencial de grupo operativo de Pichon Rivière;
psicodrama analítico de Pavlovsky e Frydlewsky; grupo
análise de Hanne, Juan Campos e Malcon Pines; corpodrama
e dinâmica corporal de Susana de Kesselman (12, p.75-80).
Pavlovsky trabalha com o referencial de Freud, Bion, Ezriel,
Slavson, Foulkes, Levobici, Anzieu, Kaes, Langer-Grinberg-Rodrigué;
acrescentam-se ao seu referencial diversas experiências
teatrais como ator e autor; e o treinamento com J.L.Moreno e
Zerka Moreno, em Beacon, no ano de 1963. São autores com
forte influência da escola psicanalítica argentina,
da psicanálise social de Pichon Rivière e das escolas
de psicoterapias de grupo psicanalíticas. O psicodrama
entra como uma formação posterior, como é
o caso da maioria dos autores argentinos.
- Para que uma experiência dramática se enquadre
no conceito de multiplicação dramática é
necessário que a experiência grupal siga uma determinada
seqüência, tal como:
- 1- relato de uma experiência pessoal;
- 2- dramatização da cena do protagonista explorada
com os recursos necessários, de preferência a partir
de uma cena que tenha acontecido com o protagonista;
- 3- jogos dramáticos criados pelo grupo em estado de
espontaneidade / criatividade inspirados na cena inicial e improvisações
que cada integrante do grupo realiza aproveitando a ressonância
que a cena inicial produz.
- É necessário ter uma cena original escolhida
pelo grupo segundo o modelo de escolha sociométrica. Isto
faz parte da possibilidade do grupo participar espontânea
e criativamente do processo de criação grupal.
Uma vez trabalhada a cena protagônica, com todos os recursos
próprios, o objetivo passa a ser possibilitar que o grupo
se aproprie da cena, isto é, roube a cena do protagonista
e a considere sua para poder jogar e improvisar dramaticamente
a partir da cena original. Consoar e/ou ressoar com o grupo.
- Na apresentação que fiz para e edição
brasileira do livro A Multiplicação Dramática
(6,p.10) relatei que via a multiplicação dramática
como um sharing moreniano em ato. Todavia, penso hoje
que são necessárias algumas distinções.
Sharing, no seu sentido mais comum, é compartilhar
com o protagonista sentimentos experimentados no aqui e agora
da dramatização ou os momentos vividos e lembrados
de sua própria vida (referencial histórico), ao
passo que ressoar é criar sem necessidade de se referir
a uma cena memorizada da sua história. Consoar, sendo
a dramatização de uma cena de sua própria
história pessoal, aproxima-se mais do sharing em
ato.
- A multiplicação dramática aponta para
uma concepção grupalista do comportamento humano
normal e patológico. O caminho para tocar e desvelar o
íntimo e as feridas dos outros não é indagando
cada vez mais ao outro a respeito de si próprio, mas sim,
projetando subjetivamente, consoando e ressoando com o outro
e nos outros. Essas ressonâncias e consonâncias "são
pedaços que completam como um quebra-cabeça a própria
intimidade e vice-versa" (6,p.92). Kesselman associa esta
concepção à de Foulkles de transindividualidade,
de ressonâncias transpessoais, onde o íntimo do
outro revela o íntimo de cada um.
- O central do processo de cura é a realização
de jogos espontâneos / criativos por parte dos elementos
do grupo entre si e do terapeuta que se agenciam entre si. Pavlovsky
sente-se acompanhado por Winnicott ao afirmar que a psicoterapia
está relacionada com a possibilidade e a realização
sobreposta de um ou vários jogos do terapeuta e dos pacientes.
Jogar ou recuperar a capacidade de jogar é a meta. Não
há cura sem criação e jogo. O jogo espontâneo
criativo mútuo entre pacientes e terapeuta possibilita
deixar de repetir os comportamentos paralisadores da criação.
Essa idéia está desenvolvida nos conceitos de matriz
do criativo de Pavlovsky, zona transicional de Winnicott e também,
ao meu ver, estados de espontaneidade de Moreno. Desenvolver
ou recuperar a espontaneidade / criatividade é a linha
mestra do trabalho psicodramático. A multiplicação
dramática se insere nesta linha.
- O sentido da cura se dá no que os autores chamam de
sinistro (unheimliche - existe uma polêmica em relação
à tradução deste termo: foi traduzido para
o inglês por "uncanny", para o português,
na edição standart foi traduzido como "estranho",
para o espanhol como "sinistro", Chnaiderman (2) propõe
que seja traduzido por "estranhamente familiar", penso
que deve ser usada uma única palavra para a tradução,
embora "estranhamente familiar" traduza melhor o conceito;
entre estranho e sinistro, penso que esse último contém
melhor as sensações de ameaça e medo) -
do sinistro ao patético e ao lúdico -. Sinistro
é um conceito tomado de Freud (4, p.273) e de Pichon Rivière
(14). Trata-se daquilo que nos possui sem que possamos nos dar
conta disso. O patético se dá com a percepção
de que estamos presos e não conseguimos sair dessa situação.
O lúdico é o recurso da espontaneidade / criatividade
para transformar o sinistro e o patético em prazer estético,
i.e., em maravilhoso, exorcizando o sinistro e o patético
(11,p.67).
- No "como se" do contexto dramático concretiza-se
um espaço lúdico oniróide de desenvolvimento
da espontaneidade / criatividade, entre o real e o imaginário,
entre o mundo externo e o interno. Espaço poético,
onde o criador está totalmente absorto pela imagem criada,
entrega-se à surpresa e ao insólito dos primeiros
momentos e constata o sinistro. Aos poucos, refazendo-se do susto
e passando da pura ficção para o reconhecimento
de representatividade em relação a fatos da sua
vida, desenvolve o prazer de criar e configurar uma determinada
criação estética.
- A multiplicação dramática está
portanto situada dentro dessa perspectiva da criação
de um dispositivo grupal que favoreça o agenciamento
de estados de espontaneidade / criatividade do grupo. Os
integrantes do grupo se atravessam com uma parte da cena original
ligando-a a uma sensação - imagem ou idéia
através de uma forma dramática. Além disto
existe tesão de dramatizar as cenas multiplicadas é
divertido Por se dar em grupo e agenciar os componentes do grupo,
o estado de espontaneidade tem a singularidade de provocar um
rompimento da visão monocular narcísica, isto é,
o mito fundante do eu, histórias que todas as pessoas
contam a respeito de si mesmas, de sua origem, é a sua
matriz de identidade. Compartilhar estados de espontaneidade
/ criatividade e se deixar atravessar pelos estados dos outros
é um caminho para esse necessário rompimento narcísico
(11,p.65).
- O estado de espontaneidade / criatividade é ponto
central para Moreno, bem como para o conceito de multiplicação
dramática. Grande parte dos textos que Pavlovsky escreve
a respeito deste último conceito são direcionados
para a caracterização do que seja tal estado de
espontaneidade, qual o processo que o desencadeia e quais são
os seus efeitos terapêuticos. Utilizando-se de sua própria
experiência de ator e escritor de peças teatrais
para se aproximar desta discussão, formula conceitos a
respeito da matriz do processo criativo, do sentido terapêutico
da criação estética e dos diversos climas
que acompanham tal processo.
- Paralelamente a isto, Pavlovsky junta-se aos filósofos
da desconstrução, aos críticos da psicanálise
e do estruturalismo mais ortodoxo (Deleuze e Guattari) por que
a psicanálise não alcança essa dimensão
do efeito curador da criatividade e mais do que não alcançar,
ao interpretá-la, faz um gesto obsceno de violência
e esterilização da criação. O estado
de espontaneidade não é para ser interpretado edipianamente
ou não, mas para ser alcançado e fluido, permitindo
que se produzam sentidos (6,p57).
- Pavlovsky e Kesselman trabalharam originalmente com grupos
experimentais, onde a multiplicação dramática
ou é o único enfoque ou é o predominante.
Estes autores relatam também o uso da multiplicação
dramática em grupos de análise didática,
com a finalidade de ensino (5). Na literatura existem outros
autores que relatam o uso da multiplicação dramática.
- Smolovich apresenta um grupo experimental de multiplicação
dramática com profissionais "psi" e relata algumas
variações do seu uso dentro de um ponto de vista
da psicanálise aplicada aos grupos e indica que ela se
aplica a grupos de formação, terapêuticos
autogestivos e institucionais (15,pp73-91).
- Susana de Kesselman, trabalhando com corpodrama, inclui o
referencial da multiplicação dramática e
assinala que ela se aplica a grupos de formação
e de psicoterapia (8,pp.43-45).
- Na literatura encontram-se relatos pormenorizados da aplicação
da multiplicação dramática a grupos experimentais
destinados à sua própria pesquisa e, em menor freqüência,
da aplicação em grupos de análise didática.
Embora exista indicação de outras aplicações
elas não são descritas ou detalhadas.
- Pessoalmente tenho trabalhado com a multiplicação
dramática em grupos processuais ou em atos únicos,
não como referencial único de pesquisa, mas aplicando
a multiplicação dramática a algumas situações
dos referidos grupos. Os grupos são destinados à
psicoterapia, ao ensino e à supervisão de psicodrama
e de coordenadores grupais e a diversas intervenções
institucionais. Aplico a multiplicação dramática
desde um ponto de vista do psicodrama. Conservo a estrutura processual
do psicodrama de aquecimento, dramatização e sharing.
A multiplicação dramática não substitui
o sharing,mas o prepara e o permite.
- Quanto às indicações clínicas
da multiplicação dramática: a) não
considero que a multiplicação dramática
possa se constituir, enquanto técnica seqüencial,
no único procedimento grupal psicoterápico, creio
ser necessário se utilizar de outros procedimentos que
se centram na produção do protagonista para se
complementar a abordagem psicoterápica; b) O principal
indicador de quando passar a multiplicar é o próprio
protagonista quem dá, i.e., se ele está interessado
em produzir novas versões a respeito de si mesmo continua
a produção centrada nele, se não passa a
multiplicar ( ego sintônico e distônico). Talvez
nas caracteriopatias, nas doenças psicossomáticas
e em todas as patologias onde predomina o mecanismo de defesa
do tipo da recusa (verleugnung) a multiplicação
dramática possa ser muito utilizada com êxito; c)
Nos grupos com maior componente sociodramático, a multiplicação
dramática está mais indicada. Um caso particular
de sociodrama que merece ser indicado seria a psicoterapia familiar,
aliás na literatura moreniana podemos considerar o caso
Adolf Hitler como a primeira multiplicação dramática
feita.
- Em síntese, o conceito de multiplicação
dramática formulado claramente em 1987 está sendo
desenvolvido nos últimos vinte anos. Embora tenha se originado
de experiências relativas ao ensino de coordenadores grupais
e de psicodramatistas, também vem sendo aplicado a diversos
outros processos grupais. É uma maneira de conceber o
dispositivo grupal como uma máquina de produção
de sentidos e também um tipo de trabalho seqüencial
grupal. Conceitualmente está na intersecção
do psicodrama com o teatro, a psicanálise, a semiótica
e a esquizoanálise. O sentido terapêutico desse
instrumento conceitual operativo está ligado a: 1) capacidade
de violentar o narcisismo monocular; 2) ao prazer estético
da criação coletiva grupal; 3) à possibilidade
de tocar o íntimo do outro através de ressonâncias
próprias e 4) à sua possibilidade de revelar o
sinistro e mobilizar o patético chegando ao lúdico.
-
-
Pedro Mascarenhas
- Referências bibliográficas
-
- 1.ALMEIDA,W.Psicoterapia Aberta. O método
do psicodrama.1ed.São Paulo, Editora Ágora, 1982.
- 2.CHNAIDERMAN,M.Ensáios de psicanálise
e semiótica.1st.São Paulo, Editora Escuta, 1989.
- 3.ECO, H.Obra Aberta.8st.São Paulo,Editora
Perspectiva,1991.
- 4.FREUD,S.O "estranho".(1919)p.
273-320,In:FREUD.Edição standart brasileira das
obras psicológicas completas de Sigmund Freud.1ed.Rio
de Janeiro, Imago, 1969.
- 5.KESSELMAM,H; PAVLOVSKY,E. Clínica
Grupal 2.1st.Buenos Aires, Busqueda, 1980.
- 6.-------------------------------------------.A
Multiplicação Dramática.1st.São Paulo,Editora
Hucitec,1991.
- 7.KESSELMAN,H; PAVLOVSKY,E; FRYDLEWSKY,L.La
obra abierta de Umberto Eco y la multiplicion dramatica,pp. 17-28,In:PAVLOVSKY,E;
KESSELMAN,H; BAREMBLITT,G; et al.Lo Grupal.1st.Buenos Aires,Ediciones
Busqueda,1987.
- 8.KESSELMAN,H; KESSELMAN,S.Corpodrama.RAPTG,2,pp.
43-5,1987.
- 9.MASCARENHAS,P.Multiplicação
dramática, uma poética do psicodrama.Tese não
publicada de credenciamento para professor/supervisor.SOPSP/FEBRAP,1995.
- 10.PAVLOVSKY,E. Clínica grupal.1st.
Buenos Aires, Busqueda, 1974.
- 11.---------------------.Espacios y Criatividad.1st.Buenos
Aires,Ediciones Busqueda,1980.
- 12.---------------------.Processo Criador.
Terapia y Existencia.1st.Buenos Aires,Ediciones Busqueda,1981.
- 13.PAVLOVSKY,E; KESSELMAN,H; FRYDLEWSKY,L.Las
Escenas Temidas del Coordinador de Grupos.1st.Madrid,Editorial
Fundamentos,1978.
- 14.PICHON-RIVIERE,E.El processo creador.1st.Buenos
Aires,Ediciones Nueva Visión,1971.
- 15.SMOLOVICH,R.Apuntes sobre multipllicacion
dramatica,pp. 73-91,In:PAVLOVSKY.Lo Grupal.1st.Buenos Aires,Ediciones
Busqueda,1985.
|